janeiro 04, 2018

que dar baste

Não são os anos que nos fazem. O que nos faz, o que nos define, é o bem que a outros fazemos, cuja alegria deverá bastar. Se o querem balizar em termos temporais, que o seja, que 2018 e os outros, sejam o tempo em que alegria do dar de nós a outros nos baste.

Alegre 2018 a todos os que por aqui passam os olhos.

Muito me tem divertido ouvir os covers de famosas músicas, transformadas em jazz e swing. São os PostModern Jukebox, e alegria das alegrias estarão em Portugal em Março.

Já o ensaio "Quem disser o contrário é porque tem razão" de Mário de Carvalho é fantástico para quem se quiser iniciar na arte da escrita de ficção, mas também para quem só quer saber mais. Tem excelentes referências literárias, e explica todas as dificuldades de se criar uma história. Foi uma surpresa muito agradável!


Postmodern Jukebox
Canal YouTube:


Mário de Carvalho
Quem disser o contrário
é porque tem razão






dezembro 20, 2017

Onde andas?

Muitos me perguntam onde tenho andado... Bom, andei no jazz.

Tive a oportunidade de beber um copo com estes senhores no âmbito de um concerto que encerrava uma tournée pela Europa. O Aaron Goldeberg, além de excelente companhia, fala um português com sotaque brasileiro, que permite uma excelente conversa, fruto de uma relação amorosa com uma brasileira no passado, uma "brasileira carioca" dizia. Todos maravilhados com a beleza de Portugal, tão ou mais como eu quando os ouvi.


Aqui fui no escuro, nunca tinha ouvido nada da Patricia Barber. Estou rendido à sua voz gutural, e um estilo interpretativo muito pessoal, a fugir do convencional. É marcante as suas expressões de prazer, quase libidinosas. Abaixo, a música com a qual terminou o concerto que vi. Hora e meia de puro prazer.




Light My Fire
by
Patricia Barber



dezembro 14, 2017

ontem aqui

Woman wearing a turban
by
Tamara de Lempicka


Ontem,
tomado pela calma de uma maré baixa,
rara nestes dias,
em que o ganha pão vence tudo e todos,
agarraste-me o espírito.
A vontade outonal de escrever tem me compensado,
há histórias a crescer,
como se o Outono real fosse a Primavera de ideias.
Até aqui o pensamento,
ontem,
fugiu para ti.
Chamam-lhe saudade,
eu diria um misto de prazer e dor. Lembrei-me do teu cabelo,
do olhar triste,
mas belo.
Lembrei-me do ar desajeitado,
fruto da timidez,
do rosto a esconder-se no meio dos cabelos.
Lembrei-me que nunca vi os meus sonhos nos teus olhos,
e por isso eu estou aqui,
e tu ali.

novembro 02, 2017

ciclo

Sunday Light
© Fanny Nushka

Vi a queda da folha. A ausência de vento fez do momento uma descida lenta, de uma calma impossível de narrar. A folha nova, com meses, outrora verde era agora de um castanho muito dourado. Mais ainda pelo sol que teima em não ir para sul. Continuam a faltar as palavras que descrevam a tamanha paz de espírito que me assolou ao contemplar o vôo lento da folha. Sem pressa caiu. Eu sem pressa deliciei-me. O objectivo destes milhares de folhas caídas em redor da centenária árvore será agora uma lenta decomposição, com o fito de adubarem a terra em redor, e assim providenciarem alimento à árvore, para que novas folhas nasçam. Um ciclo de vida imparável. A natureza em renovação. Morrer para renascer.

Sendo a natureza perfeita, será assim também nos homens? Morrer e renascer?

Talvez, ou não tivesse este estranho momento de prazer terminado com um sonoro: Oh pai!

outubro 30, 2017

o momento

©Jack Vettriano

Naquela noite abraçaram-se e choraram. Uma intemporal história de amor, momentos únicos na vida de alguns. Ela que o amou como a ninguém, ele que a amava mas estava amarrado a outra vida. Nesse noite ela disse basta, ia fugir, ele pediu tempo sabendo que não o tinha. Entre juras de amor, choraram lágrimas profundas. Era o fim. Noite que jamais se repetiria e que jamais seria contada a alguém. Essa noite abriu uma cicatriz que não se ia fechar. Iria largar sangue de tempos a tempos, cada vez menos, mas sem nunca fechar. É o momento duro dos amores que não são, ou não podem(?), ser concretizados.

Deste dramático momento nascem muitas histórias. O que foi feito dela e dele? Como lidam com aquela cicatriz sangrante? Que história conduziu àquele momento? Enfim, um mundo de possibilidades.

Certo é que aquele momento marcará sempre as vidas deles, o modo como irão viver o resto das suas vidas.
Demos largas à imaginação.

Gosto tanto de conhecer histórias, e elaborar planos a partir daí.  Os porquês e os como da vida das pessoas fascinam-me. Não no sentido mórbido de voyeurismo.

As esplanadas tardias deste Outono que não chega, onde me deleito na observação de quem passa, é terreno fértil para minha sequiosa imaginação. 
Mas faz-me falta o Outono, muita.